Redação
Lelynho
Música, circo, poesia, artes plásticas,
moda...tudo reunido numa só noite: assim foi a primeira
edição de 2009 do Sarau du Brown, evento realizado
pelo músico e agitador cultural Carlinhos Brown, ontem [11.01],
no Museu du Ritmo [Comércio], em Salvador.
A
noite começou com frevos e marchinhas dos antigos carnavais,
comandados pelo grupo Lateral Elétrica, de cima da Caetanave.
Suspenso 8m do chão, o trio elétrico construído
para Caetano Veloso logo após sua chegada ao exílio
serviu de palco também para a próxima atração
da noite, o ator baiano Ângelo Flávio que declamou
poesias e letras de música de Brown. Um
desfile de moda, com curadoria da estilista Valéria
Kaveski, levou os modelos para uma passarela improvisada no meio
do público. Ao mesmo tempo, os artistas Luidi Araújo,
Seu Deco e Silvinho Macarrão, produziam telas ao vivo do
alto dos arcos do antigo mercado do ouro. Os três fazem parte
de um grupo de artistas plásticos vindos do Candeal Pequeno
de Brotas, bairro onde Brown nasceu e cresceu.
Para
surpresa geral, Brown sobe ao palco, logo após o desfile,
acompanhado por uma patuscada de agogôs e vestido de urso
polar. “Temos que evocar as forças da natureza, o
instinto primitivo e puro que existe em nós para sermos
mais verdadeiros e livres”, afirmou Brown.
Durante
3 horas de show, o músico desfilou um repertório
de sucessos como “Carlito Marrón”, “Faraó”, “Magalenha”,
Mariacaipirinha”, além de canções como “Seo
Zé”, “Segue o Seco” e “Magamalabares”,
compostas em parceria com Marisa Monte.
Com
o primeiro convidado da noite, Saulo Fernandes [Banda Eva], Brown
cantou
músicas do seu primeiro disco “Alfagamabetizado” e
o sucesso da banda Eva, “Pequena Eva”. Com a amiga
Margareth, Carlinhos Brown cantou “Passe em Casa”,
dos Tribalistas, “Dandalunda”, sucesso na voz da cantora
e composta por ele e levaram o público ao delírio
cantando um dos hinos do carnaval da Bahia, “Chame Gente”.
Brown
também recebeu no palco o Balé Folclórico
da Bahia e a pianista carioca Cândida Borges e a bailarina
baiana Ludmila Santos. Juntos, eles apresentaram um dos momentos
mais emocionantes do show: Brown acompanhado por Cândida
ao piano, cantou “Quem Sabe?”, de Carlos Gomes, e Ludmila
fez um solo de balé clássico.
Levando
o conceito de Sarau ao pé da letra, Brown finalizou
o show chamando pessoas do público, novos talentos e artistas
ainda não conhecidos, para cantar músicas em homenagem
a diversos cantores, como Cazuza, Renato Russo, Herbert Vianna,
Steve Wonder, dentre outros.
Ainda
durante toda a noite, o público presente ao evento
pôde ver na galeria Pintado do Bongô exposição
de quadros e instalações de diversos artistas baianos,
como Sérgio Rabinovitz, Iuri Sarmento, além de quadros
do próprio Brown, uma exposição com figurinos
e cenários usados pelo cantor em seus shows e uma mostra
do projeto “Aos Olhos dos Erês”, produzida pelos
alunos da escola Pracatum, ONG criada por Brown em 1994, no bairro
do Candeal Pequeno de Brotas.
O Museu
du Ritmo – local que vai se tornar um dos maiores
museus da música no mundo – volta a abrir as suas
portas para o Sarau du Brown no próximo dia 25, com a participação
especial da banda Jamil no show de Brown e, com certeza, muitas
outras atrações para mais uma noite de diversidade
artística
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