| Chicletão
presenteia paulistas com flashback de antigos sucessos.
Sair
de casa cedo era ordem aos que dedicaram o seu domingo para o Chiclete
com Banana. Para alguns, nada de almoçar em casa, pois tinha
ônibus marcado para as dez da manhã. Para esses foliões
o “esquenta” e a “pegação”
já bombavam, antes de chegar ao Estância. Lá
no local do evento, a galera mandava o som do carro com toda a firmeza
e calibrando para o Chicletão. Quem entrou antes, pode conferir
as bandas Maneco S/A e Pataquintera, muito boas, mas a concentração
era mesmo para a atração principal e para a Banda
Inimigos da HP, que era o grupo mais conhecido depois do Chiclete
com Banana.
Nos
esquentas, chamavam a atenção os chicleteiros de outras
cidades e estados que assavam uma carninha, numas churrasqueiras
improvisadas e também era muito comum ver o povo “queimando
a largada” e passando mal com a bebida antes de entrar no
show.
Quando
os Inimigos da HP começaram a tocar no trio “Alucinante”,
o Estância ferveu. Eles, em cima do trio, faziam parecer fácil
o sucesso. A banda levantou a galera. Das sacadas do Estância
era possível ver o caminhão balançar e o povo
inteiro pular a cada música tocada pela banda. O repertório
foi escolhido com maestria, pois mesclava excelentes hits do Axé,
como “Com Amor” do Asa, “Coração”
do Rapazolla, “Ê Saudade” do Jammil, também
pagodes que a banda lançou nas rádios e, mesmo não
sendo fã do ritmo, dava pra curtir numa boa, Rock/Pop do
Jota Quest e Funk carioca numa levada de roda de samba. Outro ponto
forte do grupo é o carisma de seus integrantes, principalmente
do vocalista Sebá, que sempre brinca com a galera.
Uma
pequena pausa e lá viria a grande atração da
noite. Quando o Chiclete entrou no Palco com a nova versão
de “Voa Voa”, a galera começava a entrar em êxtase.
Pena não tocarem a tradicional versão da música
de Alexandre Peixe e Beto Garrido, essa, mais antiga do cd de 2003,
era mais explosiva e o povo voava mesmo. Uma seqüência
inicial de músicas que não surpreendia o Estância.
“Rumba de Santa Clara”, “Quero Chiclete”
e “Durvalino meu Rei”. O que valeu nesse início
foi o “Oi Lelynho!”, que Bell mandou ao ver nosso comandante
na frente do palco com sua faixa, que vai a todas as micaretas.
A coisa
explodiu quando Bell mandou “100% Você” e os velhos
e novos chicleteiros pularam com vontade. “Amar você
não dói” e “Tire o Cavalinho da Chuva”
foram duas músicas que mostraram que aquele não seria
um show comum. Teriam as novas e as velhas.
Bell
chamou o ator Eri Johnson para dar uma canjinha, como sempre em
“Diga que valeu” e depois desafiou o ator para fazer
outra música, ele puxou “Não vou chorar”
e o show seguiu com todo o carisma dos baianos, que leram as faixas
e responderam até os fãs que não conseguiram
abadás.
Quando
o percussionista Valtinho trocou o Timbau pela Zabumba e os baianos
resolveram transformar a festa em um arraial, a galera deu uma esmurecida,
a animação ficou por conta do próprio Bell,
que pegou um boneco de pano de um fã, que era o seu clone.
O brinquedo era tão bem feito, que até Aninha, a amada
esposa de Bell, quando dançava um forró no fundo do
palco, foi interrompida pelo marido ciumento, que cortou o barato
e só deixou ela dançar com o boneco.
A animada
canção “Tem que ter Chiclete” marcou a
outra etapa do show, que foi excelente. Para surpresa dos foliões,
um helicóptero parecia rondar o Estância, todos com
cara de interrogação, quando os primeiros acordes
denunciaram o cover de “Another Brick in the Wall” do
Pink Floyd que viria. Méritos ao baixista Lelo, que solou
com muita habilidade.
Na parte
final, Bell atendeu às faixas que pediam os antigos sucessos
e mandou uma seqüência de pérolas: “Vem”,
“Sorria”, “Mistério das Estrelas”(Missisnho,
Ex-Chiclete), “Sintonia” (Moraes Moreira), “Beijo
em alto mar”, “Bala na Agulha”, “Savassi”
e “Amar você não dói” novamente.
Nem todas foram cantadas por inteiro, mas esse filet mignon deixou
os cariocas com inveja dos paulistas, pois no dia anterior, no Rio,
o Chiclete não presenteou seus fãs com essas “velhinhas”.
O Chicletão
fez valer o ingresso, porém, ao fazer uma brincadeira sobre
o pouco tempo extra de show que os paulistas ganharam, Bell não
obteve sucesso. Ele sugeriu que os seus fãs deixassem umas
moedinhas em uma suposta caixa, na saída do show, pois a
banda teria tocado a mais do que o combinado. Brincadeira é
claro.
Na busca
pelo set list (relação das músicas), o colunista
desse espaço não conseguiu se fazer entender pela
produção do show, enquanto a banda fazia a saideira.
Como consolo, ganhou a palheta “Fender Thin” de Bell
Marques.
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