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Nana Fest 2005
Por: Herik Mourão
Chicletão presenteia paulistas com flashback de antigos sucessos.

Sair de casa cedo era ordem aos que dedicaram o seu domingo para o Chiclete com Banana. Para alguns, nada de almoçar em casa, pois tinha ônibus marcado para as dez da manhã. Para esses foliões o “esquenta” e a “pegação” já bombavam, antes de chegar ao Estância. Lá no local do evento, a galera mandava o som do carro com toda a firmeza e calibrando para o Chicletão. Quem entrou antes, pode conferir as bandas Maneco S/A e Pataquintera, muito boas, mas a concentração era mesmo para a atração principal e para a Banda Inimigos da HP, que era o grupo mais conhecido depois do Chiclete com Banana.

Nos esquentas, chamavam a atenção os chicleteiros de outras cidades e estados que assavam uma carninha, numas churrasqueiras improvisadas e também era muito comum ver o povo “queimando a largada” e passando mal com a bebida antes de entrar no show.

Quando os Inimigos da HP começaram a tocar no trio “Alucinante”, o Estância ferveu. Eles, em cima do trio, faziam parecer fácil o sucesso. A banda levantou a galera. Das sacadas do Estância era possível ver o caminhão balançar e o povo inteiro pular a cada música tocada pela banda. O repertório foi escolhido com maestria, pois mesclava excelentes hits do Axé, como “Com Amor” do Asa, “Coração” do Rapazolla, “Ê Saudade” do Jammil, também pagodes que a banda lançou nas rádios e, mesmo não sendo fã do ritmo, dava pra curtir numa boa, Rock/Pop do Jota Quest e Funk carioca numa levada de roda de samba. Outro ponto forte do grupo é o carisma de seus integrantes, principalmente do vocalista Sebá, que sempre brinca com a galera.

Uma pequena pausa e lá viria a grande atração da noite. Quando o Chiclete entrou no Palco com a nova versão de “Voa Voa”, a galera começava a entrar em êxtase. Pena não tocarem a tradicional versão da música de Alexandre Peixe e Beto Garrido, essa, mais antiga do cd de 2003, era mais explosiva e o povo voava mesmo. Uma seqüência inicial de músicas que não surpreendia o Estância. “Rumba de Santa Clara”, “Quero Chiclete” e “Durvalino meu Rei”. O que valeu nesse início foi o “Oi Lelynho!”, que Bell mandou ao ver nosso comandante na frente do palco com sua faixa, que vai a todas as micaretas.

A coisa explodiu quando Bell mandou “100% Você” e os velhos e novos chicleteiros pularam com vontade. “Amar você não dói” e “Tire o Cavalinho da Chuva” foram duas músicas que mostraram que aquele não seria um show comum. Teriam as novas e as velhas.

Bell chamou o ator Eri Johnson para dar uma canjinha, como sempre em “Diga que valeu” e depois desafiou o ator para fazer outra música, ele puxou “Não vou chorar” e o show seguiu com todo o carisma dos baianos, que leram as faixas e responderam até os fãs que não conseguiram abadás.

Quando o percussionista Valtinho trocou o Timbau pela Zabumba e os baianos resolveram transformar a festa em um arraial, a galera deu uma esmurecida, a animação ficou por conta do próprio Bell, que pegou um boneco de pano de um fã, que era o seu clone. O brinquedo era tão bem feito, que até Aninha, a amada esposa de Bell, quando dançava um forró no fundo do palco, foi interrompida pelo marido ciumento, que cortou o barato e só deixou ela dançar com o boneco.

A animada canção “Tem que ter Chiclete” marcou a outra etapa do show, que foi excelente. Para surpresa dos foliões, um helicóptero parecia rondar o Estância, todos com cara de interrogação, quando os primeiros acordes denunciaram o cover de “Another Brick in the Wall” do Pink Floyd que viria. Méritos ao baixista Lelo, que solou com muita habilidade.

Na parte final, Bell atendeu às faixas que pediam os antigos sucessos e mandou uma seqüência de pérolas: “Vem”, “Sorria”, “Mistério das Estrelas”(Missisnho, Ex-Chiclete), “Sintonia” (Moraes Moreira), “Beijo em alto mar”, “Bala na Agulha”, “Savassi” e “Amar você não dói” novamente. Nem todas foram cantadas por inteiro, mas esse filet mignon deixou os cariocas com inveja dos paulistas, pois no dia anterior, no Rio, o Chiclete não presenteou seus fãs com essas “velhinhas”.

O Chicletão fez valer o ingresso, porém, ao fazer uma brincadeira sobre o pouco tempo extra de show que os paulistas ganharam, Bell não obteve sucesso. Ele sugeriu que os seus fãs deixassem umas moedinhas em uma suposta caixa, na saída do show, pois a banda teria tocado a mais do que o combinado. Brincadeira é claro.

Na busca pelo set list (relação das músicas), o colunista desse espaço não conseguiu se fazer entender pela produção do show, enquanto a banda fazia a saideira. Como consolo, ganhou a palheta “Fender Thin” de Bell Marques.

lelynho.com.br