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Um bate papo Mauricio Prado
Por: Herik Mourão
Os nomes Mauricio Prado, Najão e Tico estão no inconsciente coletivo de todos os micareteiros paulistas. Todos já devem ter ouvido falar nessas pessoas, que são os sócios da “Atrás do Trio”. A empresa que é parceira das grandes bandas baianas e traz os eventos mais importantes da Bahia para São Paulo, como: Camaleão Fest, Babado Elétrico, Cerveja & Cia Folia, Cocobambu Folia, Trivela e gravação do DVD do Asa e muitas outras festas e micaretas organizadas nos últimos 06 anos

Sempre atento às novidades e ritmos, Mauricio sabe que seu forte é o pagode e o Axé, mas também traz artistas de outros gêneros para seus eventos. Sejam funkeiros, Reggaeiros ou o que quer que esteja tocando nas rádios e que traga gente bonita pras suas baladas.

Nessa entrevista com Mauricio Prado, ele conta muita coisa interessante e curiosa. Desde o inicio profissional no ramo de eventos, até a relação com as grandes estrelas da música baiana. Ele também aconselha jovens que querem entrar no mercado de eventos e de música e relembra o dia que sugeriu uma canção para o repertório do AsA.

Vale a pena conferir esse agradável bate papo com esse cara que sabe tudo na hora de fazer um evento.


Lelynho.com.br: Quando começou a se envolver com a música baiana? E como sua empresa foi montada?

Maurício: Foi quando Daniela Mercury começou a tocar em São Paulo. Eu freqüentava clubes e boites que tocavam Dance Music e no final da noite, sempre tocava Swing da Cor e algumas músicas de outros artistas baianos, e era o momento alto da noite. Então comecei a buscar informações de outras bandas da Bahia. Depois disso, comecei a freqüentar micaretas e eventos, e acabei conhecendo o pessoal que já tinha envolvimento aqui em São Paulo com a música baiana. Fui convidado para ser comissário do Carnasampa, comecei como uma brincadeira, pois sou formado em Comércio Exterior e tinha uma empresa de Importação e Exportação. Os anos foram passando, passei administrar as 2 atividades, mas sempre priorizando minha “profissão”, vamos assim dizer, o Comércio Exterior. Mas veio o crescimento dos eventos, a cobrança por profissionalismo, chegando a um momento que precisei optar por um único caminho, pois não seria possível uma entrega completa se assim não o fizesse. E hoje não tenho nenhuma dúvida de que fiz a escolha certa. Criamos a empresa, cada vez mais nosso nome ganhou força e hoje temos muito orgulho do respeito que nossa empresa adquiriu no mercado, tanto perante aos nossos clientes, quanto as bandas e até as empresas concorrentes e de outras praças.

Lelynho.com.br: O que você considera um diferencial competitivo da sua empresa? E qual sua maior qualidade, que o ajudou a ter sucesso.

Maurício: O diferencial da Atrás do Trio é o objetivo de manter-se por muito tempo no mercado. Por esse motivo, somos obrigados a realizar eventos de qualidade, pois se isso não ocorrer, acontecerá conosco o que já aconteceu com inúmeras empresas no mercado: promessa de bons eventos, decepção do público e das bandas e desaparecimento das mesmas do mercado. E além disso, o que nos ajudou a ter sucesso, é o prazer que temos em realizar nosso trabalho, uma vez que todos nós iniciamos esse trabalho como foliões iguais aos que hoje freqüentam nossos eventos.

Lelynho.com.br: Quais são seus planos e da empresa “Atrás do trio” para o futuro?

Maurício: Conforme disse antes, nosso desejo é continuar com o sucesso em nossos eventos e proporcionar aos foliões e artistas ótimas festas. A médio e longo prazo esperamos que nossos eventos cresçam e que cada vez mais nossa empresa possa realizar novos eventos, não só no segmento de música baiana, mas em todos os tipos de eventos, já que a grande cobrança pela excelência em nosso competitivo evento, nos credencia para a realização de praticamente qualquer tipo de evento.

Lelynho.com.br: Como começaram as parcerias com a Band FM?

Maurício: A Band trabalhava com o Carnasampa (extinta micareta que ocorreu na Av. Sumaré e na Av. Águas Espraiadas), e desde esse tempo tínhamos contato com a rádio, já que eu era comissário dos blocos. O primeiro Axé Band foi com Durval Lelys exatamente no dia em que houve uma festa do Bloco Tô Dentro em uma mansão no Morumbi, realizada pelo Carnasampa. E a partir daí a Band foi a rádio que teve uma maior proximidade com o movimento.

Lelynho.com.br: Como você conheceu a banda Inimigos da HP e começou essa relação duradoura?

Maurício: Foi logo no início da carreira deles, quando era apenas uma brincadeira de amigos. Tínhamos amigos em comum e comecei a freqüentar os locais onde estavam começando a tocar. Eles tinham o talento e nós tínhamos portas abertas para colocá-los em bons eventos. Começamos a trabalhar com o Batom na Cueca, eles decidiram por escolher outra empresa para assessorá-los e foi o ponto decisivo para que esse “namoro” virasse “casamento’.

Lelynho.com.br: E como começou essa relação forte com as casas Armazém e Santa Aldeia?

Maurício: Desde o ano de 1999, começamos a realizar festas em mansões e casas noturnas. Eram baladas dirigidas ao público do Axé, somente tocava esse ritmo e éramos os pioneiros e únicos neste tipo de evento. Alguns anos depois, o Inimigos da Hp surgiu e teve uma identificação muito grande com o público que freqüentava nossos eventos. Então, começamos um trabalho com o Batom na Cueca, em casas como Image Club e Strip Dance, quando o movimento com as Bandas começou a crescer. Certo tempo depois, a identificação do Atrás do Trio com o Inimigos da Hp nos juntou e essa parceria nos abriu as portas das casas como Armazém da Vila e Santa Aldeia, fazendo com que até hoje essa parceria seja sucesso.

Lelynho.com.br: Qual foi o momento mais gratificante da sua profissão?

Maurício: Não dá pra dizer que teve um só momento gratificante, acho que a cada conquista, cada data que uma Banda chega e te diz: Essa festa vocês que irão realizar, é um momento marcante da sua profissão, mostra que você está colhendo os frutos de um bom trabalho, com competência e responsabilidade.

Lelynho.com.br: Muitos jovens sonham em trabalhar com eventos, principalmente ligados à música. Que conselho você daria á eles?

Maurício: Que como em qualquer profissão, o mais importante é o prazer em realizar o que está se propondo. A pessoa tem que encarar uma profissão como aquilo que ela vai fazer todos os dias, para o resto de sua vida. E que tem todas as dificuldades de qualquer outra profissão, ainda com a agravante da competição ser muito grande, e que não há hora para o trabalho: você trabalhará de dia, de noite, e as vezes até dia e noite.

Lelynho.com.br: Teve alguma coisa especial que aprendeu com algum artista? Algum contato que teve com algum artista, que tenha sido transformador na sua vida. Tipo uma lição de vida.

Maurício: Sem exceção, todos os artistas de sucesso tem um algo a mais. Um algo a mais que as vezes você não consegue identificar. Com cada um deles você aprende uma coisa. Com um é com a humildade, com outro a perseverança, inteligência, etc, ninguém vira um mega artista por acaso. E todos eles têm os problemas que cada um de nós também temos, seja de relacionamento, de saúde ou outro qualquer que nos torna tão vulneráveis como qualquer ser humano. Isso sem contar que ao lado de cada artista de sucesso, há uma empresa ou pessoas de capacidade indiscutível para que esse artista tenha atingido esse estágio.

Lelynho.com.br: Na sua opinião(de promotor de eventos), Por que Carlinhos Brown faz muito sucesso na Europa, chega a juntar 1 milhão de pessoas em Madrid e não enche nem uma casa de shows pequena em São Paulo?

Maurício: Não há uma única explicação para isso. São vários fatores para isso ocorrer. Pode ser a identificação do artista com cada mercado, o estilo de cada um, e principalmente o tipo de trabalho desenvolvido em cada mercado. O Carlinhos Brown ou mesmo a Timbalada, nunca realizou em São Paulo um trabalho de base, como, por exemplo, o Asa de Águia e o Chiclete com Banana, que chegaram a tocar em festas para até menos de 1.000 pessoas aqui em São Paulo, para terem um crescimento gradativo.

Lelynho.com.br: Como lida com o assédio das pessoas que pedem convites? Como lida com as Marias - Abadá ?

Maurício: Já estou acostumado, não tenho problemas com isso. Pelo contrário, faço disso uma ferramenta. Tem gente que nos acompanha desde o início, os tempos difíceis de baladas em que pesssoas iam nos prestigiar, mesmo sabendo que não seriam ótimas festas. Já outras só aparecem quando sabem que o evento já está esgotado, que já é sucesso e por isso se fazem amigos. Eu tenho muito discernimento para valorizar quem realmente eu posso contar quando preciso. E até às vezes também fazer valer meus próprios interesses.

E faço questão de deixar bem claro que isso é um trabalho, que os ingressos são um produto, como um par de sapatos de um amigo que tem uma loja. Imagina se você tiver um amigo que tem loja de roupa, outro que tem um supermercado, e fazer da amizade um instrumento para ir até lá e pedir roupas ou produtos para eles?

Lelynho.com.br: No ano passado os ingressos do Nana Fest esgotaram em poucas horas. Você ficou surpresou ou já esperava esse sucesso. Acredita que isso se repetira novamente, pois o Chiclete não vem pra São Paulo faz tempo.

Maurício: Sabia que ia esgotar rapidamente, mas não que seriam em poucas horas. Vínhamos de eventos esgotados (Trivela e Cerveja e Cia) com um mês de antecedência e que o Nana Fest seria uma festa muito forte. Muito pelo contrário do que uma minoria (que não conseguiu comprar ingresso) disse, nós ficamos satisfeitos com a preparação com que aquela venda foi realizada. Distribuímos os ingressos por pontos de venda em todas as regiões da cidade, inclusive Santos e ABC, limitamos a venda de 2 ingressos por pessoa e todos os pontos de venda iniciaram e esgotaram seus ingressos simultaneamente, o que mostrou a eficiência desta venda. Houveram sim, vamos dizer, “problemas”: Filas se formaram, e em alguns pontos de venda, quando o responsável pelo mesmo informou que não haveria ingressos para as posições finais da fila, realmente foliões se zangaram. Mas eu pergunto: Seria honesto e competente, para atender a todos, vender mais ingressos do que a capacidade do local? Realmente a procura superou muito o que tínhamos de ingressos disponíveis, e o fato ocorreu. Mas eu pergunto, e com o U2, com toda a Mega Estrutura que foi disponibilizada e mesmo com o alto preço(mas justo), houveram problemas também. Pessoas ficaram horas na fila e não conseguiram comprar ingressos.

O Chiclete com Banana realizará este ano somente uma festa, e será conosco, o Camaleão Fest. Acreditamos sim que isso poderá ocorrer novamente e por este motivo, nos precaveremos para oferecer o melhor serviço possível ao folião.

Lelynho.com.br: Você conquistou amizade com algumas estrelas do axé? Quem e como.

Maurício: Das estrelas do Axé, até devido ao tempo de trabalho em conjunto, o artista que eu tenho mais proximidade é o Durval. Até por ele ser uma pessoa mais aberta ao público em relação aos outros artistas. Já me consultou sobre minhas opiniões e até já incluiu músicas em seu repertório que foram sugeridas por mim. (Caça e Caçador eu quem sugeri ao Durval.), o que me deixou extremamente lisonjeado, já que é um dos meus ídolos. No meu trabalho, a convivência mais intensa e duradoura são como os empresários, com os quais me dou extremamente bem, seja com Asa, Ivete, Babado, Eva, Chiclete. Prova disso é a agenda que temos com eles e a forma que somos recebidos quando viajamos e vamos aos shows sem compromissos profissionais.

Lelynho.com.br: Já chegou a dar conselho na carreira de algum artista?

Maurício: Conforme mencionei anteriormente, uma vez ofereci uma música a um artista, o mesmo não acreditou e logo depois a mesma virou sucesso e hit com outra banda. Depois fiquei sabendo que isso foi motivo de muita brincadeira, mas o universo musical é tão grande, que a todo momento novas músicas viram sucesso. Mas na carreira é difícil você dar conselho, a vivência deles é muito grande, é muito tempo de estrada, eu quem aprendo muito acompanhando a carreira deles.

Lelynho.com.br: Acredita que artistas como Netinho possam voltar a ter o mesmo sucesso que tiveram antes? E Tribahia, tem potencial?

Maurício: Acredito sim na volta de artistas com o Netinho, o Luiz Caldas está vivo no mercado, ambos sendo cuidados pela Caco de Telha, empresa da Ivete Sangalo, eu particularmente adoro e se estão sendo cuidado por gente extremamente competente, é porquê tem potencial. Netinho chegou a fazer mais de 28 shows em apenas um mês, tem músicas ótimas em todos os seus Cds.

Tribahia eu ainda não tive a oportunidade de conhecer mais profundamente, mas com a qualidade dos seus artistas, ex-Timbaleiros consagrados, acredito sim que possa a vir crescer muito, e espero que isso aconteça.

Lelynho.com.br: O que acontece com essa divisão no mercado de Axé. Artistas mais populares, como Psirtico, Harmonia e Guigh Guetto não conquistarem o público de Chiclete, Asa, Ivete e Jammil. Nunca realizou nenhum evento com nenhum desses artistas mais populares?

Maurício: Na minha opinião são ritmos completamente diferentes, Psirico, Harmonia, etc são os chamados “Samba Duro”, não vejo absolutamente nenhuma semelhança com o trabalho de Asa, Chiclete, Ivete, etc. O público que gosta de um ou outro também não é o mesmo, até por isso nunca realizamos nenhum evento com eles. É como colocar Chitãozinho e Xororó para tocar sertanejo em uma micareta nossa.

Lelynho.com.br: Recentemente vários artistas fizeram caprichosos trabalhos em DVD(Ivete, Eva, Babado, Jammil), outros artistas estão voltando (Netinho e Luiz Caldas), novos projetos (Tribahia e Vixi mainha) e novos talentos (Peixe e Negra Cor). O que você pensa sobre isso? Vai ter mercado pra tanta gente? Acredita que o Axé está ganhando ainda mais força?

Maurício: Acredito sim que tem mercado para quem fizer um bom trabalho. Mesmo porquê há a identificação do público com cada artista e hoje o que conta muito é o artista tocar em bons eventos. Muitas vezes a pessoa vai a algum evento sem gostar do artista, vai pela diversão, pelos amigos e sai gostando. Tenho muitos amigos que hoje são freqüentadores assíduos e que quando foram a um show pela primeira vez, odiavam axé. E até hoje tem quem vá nos eventos não pela música, mas sim pela diversão. Eu mesmo não sou nenhum fã de música eletrônica, mas freqüento alguns sempre que posso por admirar o público e a ótima estrutura de alguns deles. E o Axé tem muito disso.

Lelynho.com.br: Como é promover baladas durante toda a semana?

Maurício: É gratificante ver que com um bom trabalho você consegue trazer tipos de público diferenciados para cada dia que você realiza.

Lelynho.com.br: Soube que você tem uma regra pra não beber todo o dia, bebe dois dias sim, dois não. Conte como administra sua rotina diária?

Maurício: Não tem uma regra, mas tem que se cuidar. Tem que ter a consciência dos males que a bebida trás e que no outro dia muito trabalho te espera. Mas quando você viaja, vai ao Carnaval de Salvador ou alguma micareta, aí acaba deixando os cuidados de lado ... Mas por um bom motivo e nem tanta frequência.

Lelynho.com.br: Existe alguma banda que você acredita e aposta?

Maurício: Acredito na Banda Eva, é uma banda muito bem assessorada, preocupada com a qualidade tanto musical quanto dos eventos que participa, extremamente preocupada em agradar os seguidores e muitas outras qualidades.

Lelynho.com.br: Acha que pode existir outro artista que faça tanto sucesso e seja tão idolatrado como o Chiclete com Banana? Fale um pouco sobre o sucesso deles.

Maurício: O Chiclete com Banana é um fenômeno, e tem vários motivos para isso. Amado por seu público, apresentações contagiantes, alegria por onde passa. Conhece alguém que foi a algum bloco de carnaval do Chiclete com Banana e disse que não se acabou, pulou, dançou, curtiu ? E na minha opinião, o que mais surpreende é a superação. Quando você acha que o Chiclete com Banana já tem tantas músicas sensacionais, que é impossível fazerem mais um disco tão bom, eles aparecem com um Cd que tem desde a primeira até a última canção, todas maravilhosas, uma melhor que a outra. O que mais poderia se esperar ?

Lelynho.com.br: Como surgiram outros artistas nos seus eventos, como Reggueiros, Forrózeiros e Funkeiros? È o mesmo público que vão às micaretas?

Maurício: Algumas vezes sim, outras não, há vários fatores que giram em torno disso. Há muita gente que gosta de freqüentar uma ou outra casa, e acaba indo independentemente da atração. E tem também aqueles que vão onde sabem que vão encontrar uma galera bonita, animada e boa festa. Felizmente as pessoas acreditam bastante e gostam dos nossos eventos, acho que por isso conseguimos atrair a tão diferentes públicos.

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