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Continuando com a seqüência da entrevista com nossos amigos da banda Inimigos da HP.
Por: Herik Mourão

Lelynho.com.br: Como que o Funk entrou na brincadeira? E como o Cebola foi fazer vocal?

Cebola: Eu e o Tocha inventamos a brincadeira e resolvemos colocar no meio de algumas músicas e começou com um, depois foi para dois e assim foi crescendo. E a gente fez no meio do Show. Assim como o Axé. A gente não testa nada em Ensaio, a gente testa tudo no show. Deu certo!

BONILHA – Tudo começou como uma grande brincadeira e até hoje é uma brincadeira. O pessoal olha gente no palco e diz: “o legal de ir no show de vcs, é q a gente vê vocês se divertindo!”. Não estamos preocupados se o pessoal ta rindo da gente. A gente ta se divertindo.

Ás Vezes, o Cebola faz uma piada de algo que aconteceu na van, que só a banda sabe e quando a gente repara, ta todo rindo (o público).
Nem sabem pq. Mas riem.
Se o Cebola vai fazer uma piada, é pra mim, Tocha ou Alemão rirem. A gente costuma dizer, que nós nos divertimos muito mais do que quem ta assistindo.

O público acaba assimilando.

Lelynho.com.br: Como surgiu esse lance da Calcinha Bege, que vocês tanto brincam?

Cebola: O Sebá começou com o lance da calcinha bege e o Léo resolveu entrar no palco, sem ninguém saber com a calcinha bege. Igual a Lacraia.

Bonilha: O sebá falava no funk pra agarrar calcinha rosa, calcinha preta e quando ele falou bege, alguém falou: “Calcinha Bege não!” Ai já mudou o ritmo da música. E ai começou.
Um dia o Léo roubou uma calcinha da mãe.

Léo: Quando rolou calcinha bege, o pessoal se olhou e começou a tirar sarro. Depois pintou um jogo de luzes e mudar a velocidade da voz, para ficar bem trash mesmo.

Até que um dia eu pensei: Minha mãe tem 60 anos e usa aquelas calçolas. Eu peguei uma dela e vesti por cima da calça no Image. E eu sempre ando pela lateral do palco, tirando onda com umas lycras da Lacraia e naquele dia eu fiz surpresa. Os caras nem conseguiam tocar, todos choravam. O Público ficou louco. Teve gente até que mandou email falando da cueca e eu respondi: É CALCINHA MÊSMO.

Virou uma coisa TRASH. É engraçado porque é trash!

Lelynho.com.br: E na estrada? O que acontece de gafes e frias?

Léo: Ai direto! Já anunciamos show do concorrente. Esqueceu o nome do instrumento que o cara tocava.

No ônibus um pinta a unha do outro com esmalte. Eu sempre ando com esmalte na mochila pra sacanear eles. Os caras saem capotados e a gente sempre para pra almoçar na estrada.
Os caras vão almoçar e o restaurante inteiro chorando de rir.
Enche a mão do cara de creme de barbear e passa uma pena pra ele coçar e ai...

Lelynho.com.br: Agora estão aparecendo muita na mídia. Como estão levando esse lance de fama? Tem muitas fãs que fazem loucuras por vocês?

Léo: . Cara, tem as meninas do fã-clube, que acompanham em tudo o que é lugar. Outro dia fomos tocar 300km longe daqui e a garota foi dirigindo sozinha até lá.

Tem sempre as meninas que querem invadir o palco, entrar no camarim de qualquer jeito, querem conhecer a gente.

E o Pagode foi o lugar que a gente mais fez amigos e a gente preza isso sempre.

A gente tem as amizades e conforme o tempo e a mídia, os velhos amigos querem tirar foto, pedem autografo. Então é engraçado! E puta novo pra gente. E levamos na moral. Não vejo um grupo de pagode que sempre recebe todo mundo nos camarins.

Bruno: Pra mim é um pouquinho menos, do que pros outros. E como eu não tenho muito tempo livre, acabo não sentindo. A família me vê, fica contente e tal. Mas se eu não estou aqui no pagode ou com a família, estou no banco e lá não falamos muito sobre isso. Não dá pra sentir muito.

Quando a gente viaja, principalmente interior, eu me surpreendo um pouco com esse fanatismo, pessoal querendo um autografo ou te encostar, isso é um pouco estranho para mim, bastante. Mas é uma coisa que a gente ta sabendo lidar com bastante humildade, sabemos que não somos ninguém ainda e que temos muito pra trabalhar. Mas ta sendo gostoso.

Lelynho.com.br: E de onde vêm os apelidos de vocês?

Cebola: Se você descobrir, você me conta. (Risos)
Coisa de colégio. Mas a gente gosta de falar que eu faço as mulheres chorar. Fazia. Se eu falar isso agora, eu rodo.

Bonilha: Sobrenome

Tocha: Os caras falam que eu sou muito clarinho. Cabelos e pêlos do corpo tudo clarinho. Ainda comprido (alto) e com o cabelo pra cima.

Lelynho.com.br: E vocês estão comprometidos? Como anda o coração dos Inimigos da HP? Podemos falar sobre isso?

Bonilha: O Tocha está enrolado como macarrão. O Gui ta casado. Bruno e Cebola na fila. O resto ta tudo namorando sério, para pegar senha e entrar na fila.

Bruno: Podemos falar sem problema. Vou casar, To casando em Setembro agora. É uma coisa que eu estou planejando faz algum tempo e pela falta de tempo até, to trazendo a minha namorada para morar em São Paulo, pois ela não é daqui. Ela vem morar aqui para me dar mais força ainda, pra gente enfrentar essa caminhada que a gente tem pela frente.

Lelynho.com.br: E a Pirataria? Vocês se incomodam muito com isso?

Gui: Pirataria não tem muito remédio. Eu já vi, conversei com o camelô que tava vendendo. Me apresentei e perguntei se vendia bem, e ele respondeu que o nosso é um dos que mais vendem. Pô, não vou querer ser mais realista que o rei e brigar com o cara no meio da rua. Não cabe a mim, eu não sou policia. E ele não vai devolver o seu CD. Então, não deixa de ser um termômetro tbm, O camelô já te conhece, que ele quer ter o seu cd em estoque. E vi uma estatistica no Jornal da Globo, de que no Sudeste, 50% é venda não oficial. Então se vendemos 30 mil cds oficiais, tem 60 mil cds nossos ai nos rádios, carros das pessoas.

E assim as pessoas se identificam e vão ao Show. Quanto mais gente nós conseguirmos que se identifiquem com o nosso cd, quando lançarmos o 2º, vai ser um sucesso.

Lelynho.com.br: Vocês são um grupo de oito homens de negócio. Como fica na hora de tomarem decisões com relação ao futuro do grupo?

Bonilha: Todo mundo dá a sua opinião e nem sempre são iguais. Mas todas são coerentees e em pró do grupo.
Quando um acha legal uma coisa, o outro faz advogado de diabo. Respeito e melhor do grupo. Famosa democracia.

Gui: A gente brinca que as decisões mais simples, boba,besteirinha, a gente faz uma discussão sem fim. Toda discussão séria. Vamos assinar com a gravadora, fazer o show no Unique. Essas são fáceis, pois o tino comercial, o empreendedorismo de todo mundo, sempre acaba conduzindo para um mesmo objetivo. Agora o horário do show, de onde sai a Van, ai é ...

Lelynho.com.br: Já rolou alguma crise entre vocês? Vocês já imaginaram como seria a vida de vocês sem a banda?

Alemão: A gente sempre conversa, discute, às vezes mais sério, às vezes parte para o lado pessoal, mas nunca chegou a desandar. A gente começou a tocar em barzinho para se divertir. Então o máximo que pode acontecer é voltarmos a só nos reunir uma vez por semana para tocar num barzinho.

Tocha: Já parei pra pensar sim, Mais da metade da nossa vida é isso aqui então é difícil imaginar sem a banda. Lembro de como era antes da banda. Mas não dá para pensar muito, a coisa ainda ta crescendo muito. A gente ta graças a deus crescendo. Devagarzinho. Os 8 com certeza vão continuar sendo amigos, se bobear ter um negócio juntos, nem que seja com música ou fora .

Lelynho.com.br: E as criticas? Recentemente saiu uma reportagem nada simpática numa revista de circulação nacional. São mesmo os “Mauricinhos do Pagode”?

Bonilha: Foi à primeira vez q a gente ouviu falar e era mais direcionado ao Jeito moleque. A gente ouviu muito Neo Pagode e Mauricinhos do Pagode. Esse negócio de rótulo é muito...

Fomos o primeiro grupo a levar o samba de roda e o samba pra uma classe social mais alta. E somos um grupo que veio de uma classe social não tão humilde a fazer a música no Brasil inteira rotulada, como um negócio humilde.
A gente já foi rotulado de várias maneiras e encaramos sempre numa boa.

Eu não considero a gente uma boys band. Eu considero a gente uma coisa única, talvez que nunca tenha existido mesmo.

lelynho.com.br