| Léo
Cavalcanti, da Banda “A Zorra” bate um papo com o site
e conta muita coisa boa.
Anunciados
como o futuro do Axé, A Zorra já tem uma história
de fazer inveja para muito artista rodado. Estourados com o hino
“Solteiro em Salvador” em 2004, a banda mostrou que
não veio ter os seus 15 minutos de fama e já trabalha
o terceiro disco de olho no futuro DVD.
A sonoridade da banda é muito rica, eles usam muito bem os
metais, o tecladista Gigio é um músico virtuoso, a
percussão tem DNA do Chiclete com Banana (Bruno e Shanon
são filhos de Rey) e o vocalista tem as qualidades vitais
para cantar numa banda de Axé, a empolgação
e o carisma.
Isso os foliões do Bloco Nana Banana de Salvador já
conhecem e puderam ver esse ano, o trio da Zorra já sem corda
e a galera indo atrás. Se não fosse o outro trio atrás
e a lei de silêncio nas ruas fora da Avenida da praia, o Nana
teria mais uma hora de música.
Por isso afirmo, que a banda que já é sucesso, vai
crescer ainda mais e levar muita gente pra essa folia. E vale a
brincadeira: “Se Salvador fosse Las Vegas, apostaria minhas
fichas na Zorra”.
Muito simpático e querido, o excelente puxador de trio, Léo
Cavalcanti concedeu uma entrevista exclusiva ao site, com ritmo
de bate-papo, o texto a seguir apresenta um pouco de um jovem talentoso,
com muito pé no chão. Confiram:
Lelynho.com.br: Como formou-se A Zorra? Qual a participação
da Central do Carnaval? Ouvi dizer que cantava em Karaokê.
Léo:
Eu já cantava, não em karaokê, porque karaokê
é uma coisa pra brincar, mas já cantava em barzinhos,
fazia shows em barzinhos com voz e violão já há
muito tempo. Alguns músicos eu conheci antes da formação
da Zorra. A gente já se conhecia lá de Salvador mesmo,
dessa cena musical lá de Salvador. Acho que metade da banda
eu já conhecia e metade eu não conhecia, fui conhecer
quando a gente foi montar. E aí surgiu da vontade do pessoal
da Central do Carnaval de montar a banda. Eles tinham um projeto
novo e conheceram meu trabalho e acreditaram nele e quiseram montar
uma parceria, montar uma banda.
Lelynho.com.br:
Vida de banda é uma família. Como é conviver
com um pessoal que você começou a ter convivência
profissional? E você já conhecia os filhos de Rey (Chiclete
com Banana), Bruno e Shanon?
Léo:
Não, eles dois eu não conhecia.
Se você
é uma pessoa do bem ,você se enturma logo. A energia
positiva e as vibrações são pra que dê
tudo certo e hoje realmente a gente é uma família.
A gente tá na estrada há quatro anos e nunca brigamos
pra valer, só discussões saudáveis em prol
da melhora do nosso trabalho. A gente se dá super bem, viaja
junto, sai junto quando a gente não tá trabalhando,
a gente sai pra curtir, liga um pra casa do outro “vamos fazer
um churrasco hoje? Vamos numa festa hoje? Vamos viajar?”.
Mesmo viajar fora do trabalho, pra praia pra curtir um pouquinho
quando a gente tá de folga. É uma irmandade mesmo.
Lelynho.com.br:
Como foi o projeto da Central? Qual o papel da Central do Carnaval
na banda?
Léo:
Na verdade, cada um entrou com a sua parte. Sua parte eu falo no
que cabia a cada um, no que cada um sabe fazer. A Central do Carnaval
é uma empresa de blocos que faz a gerência dos maiores
blocos de Salvador. Então eles entraram com a parte dos blocos,
com a parte da administração da banda, a parte do
secretariado e tal, visão empresarial também. Eles
que são, vamos dizer assim, a gerência da banda. Eu
entrei com o lado artístico, com o lado musical. Eles se
envolvem muito pouco nesse lado. Não que eles não
possam dar palpites e não ter a opinião deles, claro,
mas a gente discute e chega num denominador comum. Então
cada um entra com a sua parte. Eu entrei com a parte musical, a
parte de dirigir esse lado musical, junto com o Giovani que é
o tecladista da banda, que é o ícone da parte musical
também e aí foi isso. A gente vai tendo reuniões
periódicas. O intuito deles era lançar um produto
novo no mercado, me conheceram e a gente fez essa parceria.
Lelynho.com.br:
O que eles queriam? Quais eram as expectativas?
Léo:
No início, como qualquer banda nova, qualquer trabalho novo,
você não sabe quando vai fazer o primeiro show, “Pô
a minha banda vai ser... a gente vai tocar assim, assim e assim”.
Porque é o início de tudo e no início você
ainda não tem a maturidade de hoje e a que eu vou ter daqui
a 10 anos e ter a que eu não tinha há quatro anos
atrás. Então é mais ou menos isso, nós
vamos lançar um produto novo no mercado, a gente sabe que
vai enfrentar dificuldades, que vão ter preconceitos, que
vão ter pessoas que vão gostar, vão ter pessoas
que não vão gostar. E graças a Deus a gente
tá dando certo, nesses quatro anos a gente tem crescido muito,
bastante, fazendo muitos shows, viajando o Brasil inteiro. E tudo
nasceu daquela idéia que a gente teve. É uma semente
que a gente planta e a árvore vai crescendo e hoje começa
a dar frutos.
Lelynho.com.br:
Na construção da banda teve alguma referência
marcante? Foi o Chiclete ou alguma outra banda da Bahia?
Cada
um tem o seu gosto. Eu gosto muito de carnaval, gosto muito dos
artistas da Bahia, esses que estão no mercado, eu gosto de
todos.
Lelynho.com.br:
E saia em que blocos no Carnaval?
Léo:
Eu sai muito pouco em bloco. Eu ficava mais na rua, no meio da muvuca
com os amigos e tal. Achava mais bacana. Mas já sai com Ara
ketu, Chiclete, Netinho, Ivete...
Com o Asa também, mas não no carnaval de Salvador,
em micareta fora da Bahia.
Lelynho.com.br:
O repertório que a banda têm escolhido é
sempre muito bom! Como vocês têm trabalhado isso?
Léo:
Repertório é uma coisa que a gente se preocupa muito.
A gente vai lançar um terceiro CD agora, e graças
a Deus a gente tem uma coisa muito sólida que é a
composição. É a gente que compõe o nosso
trabalho. 80%, 90% do nosso trabalho, dos nossos discos, são
composições nossas. E daí parte pra gente fazer
sucesso com as nossas músicas. “Solteiro em Salvador”
é uma composição nossa, “Saudade vai
bater” é uma composição nossa, “Love,
Love” é uma composição nossa. Então
isso nos dá subsídios para cada ano lançar
coisas novas. Além disso a gente se preocupa em tocar músicas
bacanas, de outros artistas que estejam no auge, músicas
que estejam estouradas no Brasil inteiro. Fazer resgate de músicas
que o cara nem espera, de repente uma música de Luiz Caldas
como Ajayô, que muita gente nem toca mais. Têm pessoas
dessa nova geração que nem conhecem, “pô
que música é essa?”, então acaba conhecendo
a música. Então a gente tem essa preocupação
de tocar músicas inusitadas também.
Lelynho.com.br:
E Carnaval 2006, vocês vão sair nos blocos Skol, Acadêmicas
e Nana Banana. Alguma outra novidade?
Léo:
A gente tá ainda negociando. Mas fechado 100% é Nana
Banana; o Acadêmicas agora mudou de nome e vai se chamar “D+”
e o bloco Skol. O bloco Skol hoje são 5 dias. Então
o bloco Skol vai sar sexta com a gente, sábado com a gente...
É porque é uma junção, na verdade, D+
, Skol e Acadêmicas, na verdade, são três blocos
em um. Só que o Skol, ele sai na sexta, no sábado
e continua domingo, segunda e terça. E esse ano o Bloco Skol
vai fazer uma coisa diferente. Posso adiantar para vocês,
que o bloco vai trazer o DJ Fat Boy Slim pra fazer um dia, vai ter
um dia com o Samuel Rosa, um dia com Cidade Negra e um dia com o
Jota Quest. Então vai ser uma coisa bem diferente mesmo.
E dois dias com a Zorra.
Lelynho.com.br:
Isso vai ser no Skol?
Léo:
Bloco Skol que também faz parte do Acadêmicas.
É porque quando você lança um bloco novo no
carnaval, você não pode ir para o início da
fila. Como a gente tem o Acadêmicas que é no início
da fila, bem posicionado e a Skol tava com esse projeto de fazer
um bloco que começasse na sexta, a gente abriu espaço
para o bloco Skol fazer parte do bloco D+ Acadêmicas. Não
é muito fácil entender mas é isso aí.
Léo:
É um lance mais de estratégia do que de artístico.
Domingo, segunda e terça a gente ainda tá negociando.
A gente deve fazer algum bloco oficial esse ano.
Lelynho.com.br:
Campo Grande, Barra?
Léo:
Pode ser Campo Grande ou Barra, um desses dois circuitos
Lelynho.com.br:
Vocês já tocaram no Campo Grande?
Léo:
Tocamos no primeiro ano da banda
Lelynho.com.br:
Por ser o vocalista e cuidar da parte artística, você
assume a liderança da banda?
Léo:
Não... de forma nenhuma, ninguém é
dono da verdade. A liderança vem naturalmente, ninguém
decide ser líder. Obviamente, sou eu quem me comunico diretamente
o público, diretamente com a imprensa, seja lá o que
for. Você se torna ícone mesmo sem você dizer
“Ah, eu sou o ícone, eu sou o líder”.
Mas isso é uma coisa natural, sem tirania, é uma democracia,
mas que obviamente tem um líder e esse líder sou eu.
Lelynho:
E já pensou alguma vez em fazer trabalho solo?
Léo:
Não, hoje em dia não penso. Acho que a banda tem muito
para conquistar.
Lelynho.com.br:
Com quem que você já dividiu o palco que marcou para
você?
Léo:
Na verdade, não foi nem dividindo, ele foi dar uma canja
comigo, foi o Jorge Vercilo, eu gosto muito do trabalho dele. No
verão, a gente tava fazendo nosso ensaio lá em Salvador
e o convidei pra dar uma canja com a gente e foi um momento bem
marcante, porque eu gosto muito do trabalho dele, admiro muito o
trabalho dele. A gente, inclusive, já gravou uma música
dele no primeiro CD.
Lelynho.com.br:
E o próximo álbum. Já lançaram “A
Cor da Esperança”... E vem mais o que por ai?
Léo:
Já lançamos “A Cor da Esperança”
que tá bacana pra caramba, tá dando um resultado legal,
porque é uma música diferenciada, tem uma linguagem
legal, é uma música positiva, que fala de você
ter mais alegria de viver, ter esperança, de você mudar
de vida e ter sempre fé nas coisas boas. E a gente sempre
se preocupa com isso, em ter uma música que tenha uma linguagem
legal, uma letra bacana, e “A Cor da Esperança”
é uma delas. Mas o disco tá muito legal, com 80% de
composições nossas, tem várias músicas
minhas, músicas de Giovani. Tem uma música chamada
“Axezeiro”, pra galera que tá no site de vocês,
é a cara da galera micareteira, da galera que vai atrás
dos trios e viaja pra curtir carnaval, micareta. Tem várias
músicas bacanas, e se Deus quiser, se a gente conseguir ter
o mesmo sucesso que foi o disco “Solteiro em Salvador”
a gente vai ficar muito feliz.
Lelynho.com.br:
Eu li há um tempo atrás que você tem TOC (Transtorno
Obsessivo Compulsivo).
Léo:
Não chega a ser TOC não, eu tenho mania de lavar a
mão. Se eu pegar em dinheiro, se eu engordurar a mão
por comida. Eu vi um cara em Fortaleza agora e eu levei um susto.
Eu disse “rapaz, se eu ficar igual a esse cara eu to ferrado”.
Eu entrei no banheiro e aí vi o cara lavando a mão
e aí eu fui lá fiz xixi voltei e o cara tava lá.
E eu achei estranho porque o cara tava há um tempão
ali. E o cara foi, pegou a toalha pra enxugar a mão e enxugou.
Só que quando ele foi fechar a torneira, ele achou que tinha
que ter fechado com um papel e ele foi e lavou tudo de novo por
uns dez minutos, eu fiquei impressionado.
Lelynho.com.br:
E você nunca precisou ir ao médico?
Léo:
Não, porque isso não me incomoda. Acho que é
mais uma coisa mesmo de higiene do que de mania, porque eu gosto
de estar sempre com a mão limpa.
Lelynho.com.br:
E
Léo:
Não, apertar a mão é normal. Não vou
apertar sua mão e sair para lavar a mão.
Como
vêm as idéias de composição?
Léo:
Vem das formas mais diversas maneiras. Às vezes, eu acordo,
pego a caneta e começo a escrever, às vezes a música
vem na hora, eu pego o violão e ela já sai na mesma
hora, sai prontinha. Cada um tem seu jeito de compor.
Tem uma música no disco chamada “Eu Vou Beijar Você”
que foi feita no aeroporto de Recife. Eu e Giovani... o vôo
atrasou, eu peguei o violão e falei “Pô Giovani,
eu tenho essa melodia aqui” e em uma hora e meia a música
saiu e tá no disco, que é uma música belíssima,
eu gosto muito dessa música.
Lelynho.com.br:
E quando vão lançar um DVD?
Léo:
Daqui a dois anos a gente deve lançar CD e DVD ao vivo. Porque
aí tem uma trajetória maior de música, de estrada,
né?. Esse disco que a gente vai lançar agora a gente
espera trabalhar ele por dois anos, porque tem muita música
bacana. A gente deve trabalhar, no mínimo, umas cinco ou
seis músicas desse CD. Pra daqui a dois anos a gente lançar
CD e DVD ao vivo. A idéia é essa.
Lelynho.com.br:
E tem algum hobby?
Léo:
Eu gosto de surfar, gosto de jogar bola, mas não tenho tido
tempo.
Lelynho.com.br:
Tá lendo algum livro?
Léo: Eu tava lendo agora um livro chamado
“O Advogado de Deus” e li agora um livro de Dráuzio
Varella, O Carandiru.
Lelynho.com.br:
Léo, Obrigado pela entrevista e sucesso! Nos vemos no Schin
Folia, Reveillon no Guarujá e em Salvador!
Léo:
Tomara! Obrigado e parabéns pra vocês do site e muito
sucesso !
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