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André Macêdo conta sobre seu pai e o grupo " Trio Elétrico Dodô e Osmar
Por: Herik Mourão
André Macêdo,filho de Osmar Macêdo, parceiro de Dodô nas criações do trio elétrico e da guitarra baiana, André Macedo é a voz do “Trio Elétrico Dodô & Osmar”, a banda formada pelos filhos dos inventores da folia como conhecemos hoje.

Importantíssimo na manutenção da história e patrimônio cultural do Carnaval, André nos conta um pouco da história e da personalidade de seu pai e fala dos projetos que está tocando atualmente.

Vale a pena conferir a entrevista e conhecer o som dessa banda que é um pilar na história do axé music e se você puder acompanhá-los durante o carnaval na Barra, não precisa se preocupar com abada, pois é um trio independente, ou seja, sem cordas.

Lelynho.com.br: Conte um pouco da personalidade e o jeito de Osmar (seu pai) e Dodô, os criadores do Trio Elétrico. Como era o seu pai em casa, com a familía, amigos, músico, negócios e etc...

André: Meu pai era uma pessoa calma, muito tranqüila e era apaixonado por música. Gostava de música de boa qualidade como o choro., clássicos etc. Na década de 40 ele conheceu Dodô e desde então formaram a dupla que iria revolucionar o carnaval de rua de Salvador. Ele tinha o espírito de inventor, pensava sempre a frente do seu tempo e depois de várias experiências com Dodô eles inventaram a primeira guitarra elétrica do Brasil, o Pau elétrico

Lelynho.com.br: Já mais velhos , como essa dupla via o que eles iniciaram a construir? Toda a imensidão do Carnaval em Salvador e sua magnitude.

André: Eles viam com muito orgulho e sempre falavam que começaram de uma brincadeira para levar alegria para o carnaval e para o povão. Mas eles não pararam na fobica não. Foram eles que mudaram no ano seguinte para uma caminhonete e logo depois para um caminhão. Sempre inovando em matéria de trio elétrico, fizeram o primeiro palco móvel giratório e com elevador ( em 1975). Em 1975 o Trio Elétrico Dodô e Osmar deu o primeiro passo na modernização do som colocando voz , bateria e contra baixo dando conotação de banda.

Um ano depois levou a percussão para cima formando um palco único usado até hj por todos os trios.Em 1977 eles construiram o trio espacial, com uma passarela giratória que se elevava projetando a banda a uma altura de 4 metros acima do trio

Lelynho.com.br: O que sente e o que acha quando vê um monte de trios elétricos enfileirados na avenida no Carnaval ou em outras cidades nas Micaretas? E quando vê os trios Dragon de 2 vagões, o Rex e o Maderada, o que sente?

André: Sinto orgulho de ver a invenção dos dois cada vez mais evoluindo e se espalhando por todo o Brasil e pelo exterior. Em 1983 o trio Dodô e Osmar saiu pra tocar na Itália, sendo o primeiro trio a tocar fora do Brasil.Em 1985 repetiu a dose na França, abrindo as portas para vários outros trios. E sentimos muito orgulho do nosso fobicão que é considerado um trio de ponta, com alta tecnologia de som, e um bonito projeto do Mago Pedrinho da Rocha.

Lelynho.com.br: Já percebeu algum dia que você pode se considerar irmão dos trios elétricos? Pode até chamar os Avancini´s, Alucinante´s e Demolidores de sobrinhos, já que eles são filhos da Fobica. Rs

André: Meu Pai se orgulhava muito com a aparição de bons trios e sempre dizia que eram seus filhos e isso contribuía cada vez mais para a proliferação do trio pelo Brasil, pois cada estado começou a construir os seus.

Lelynho.com.br: Você atua em algum ramo comercial no Carnaval ou só canta com o grupo “Trio Elétrico Dodô & Osmar”

André: Além do Trio Elétrico Dodô e Osmar eu tenho minha carreira solo, com minha banda, que é um trabalho que faço, paralelo ao Trio. Estou lançando agora em março um cd de forró, que é um gênero que gosto de cantar muito e começou em 1985 com a gravação que tive o prazer de fazer com Luis Gonzaga, nosso velho Lua, o rei do baião, grande amigo de meu pai.

Lelynho.com.br: Conte-nos um pouco da história do grupo “Trio Elétrico Dodô & Osmar”? Fale das músicas mais famosas, dos autores e influências.

André: Como todos sabem o Trio elétrico foi inventado em 1950 por Dodô & Osmar, quando saíram numa fobica pelas ruas de Salvador e desde já arrastando uma multidão. Em 1951 saíram numa caminhonete e no ano seguinte montaram num caminhão como é conhecido até hj. Em 1974 foi formada, pelos filhos, a banda “ Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar” , começando uma nova fase, com a inclusão do cantor que foi o Moraes Moreira, a bateria e o contrabaixo, dando uma conotação de banda. Em 74 começamos também a gravar os discos, lançando vários sucessos para o carnaval a exemplo de Pombo Correio, Vassourinha Elétrica, Chão da praça, Chame gente etc.

Lelynho.com.br: Conte do trabalho e dos planos da banda “Trio Elétrico Dodô & Osmar”.

André: Estamos esquentando as turbinas para o carnaval começando agora com o Pré-Caju onde puxaremos o bloco Carangueijo elétrico dia 22/01. Paralelo a isso, estou realizando os meus ensaios de verão numa casa noturna em Vilas, O Café Canela todo sábado. Estamos participando de ensaios dos nossos colegas como o Afrodisíaco, faremos tb uma participação no de Margareth Menezes e Olodum.

Lelynho.com.br: Como é o Bloco e o repertório de vocês no Carnaval?
André: O Trio Elétrico Dodô & Osmar toca durante o carnaval para o folião pipoca, sendo chamado de trio independente. Saímos no carnaval patrocinado por empresas privadas a exemplo da Ford, Petrobrás, e do Governo do Estado e da Prefeitura. O seu repertorio é formado por músicas próprias, conhecidas do folião, releituras de MPB, clássicos instrumentais a exemplo de Bolero de Ravel e axés como Margareth, Carlinhos Brown, Daniela, Asa, Araketu

Lelynho.com.br: Você consegue contar um pouco dessa sua história longa de vários carnavais de Salvador?

André: Eu saio em Trio elétrico desde que usava fraldas (rs). Com isso acompanhei todas as fases e transformações do carnaval de Salvador, desde a época instrumental de Dodô & Osmar até hj. Um marco muito forte na história do trio elétrico foi quando Caetano Veloso lançou a música “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”. Com sucesso da música o Trio elétrico ficou conhecido em todo o Brasil. Outro fato importante foi em 1974 quando colocamos cantor, que foi o Moraes Moreira. Em 1980 eu passei a dividir os vocais Com Moraes e estou até hj como o cantor do Trio.

Lelynho.com.br: Na sua família são todos músicos? E tem filhos e/ou sobrinhos?

André: Todos seguiram a música, continuando a história do velho Osmar. E hj já tem tb os netos formando a terceira geração do trio.

Lelynho.com.br: A Guitarra baiana já faz parte da família também? Fale-nos desse instrumento tão peculiar na música baiana.

André: A guitarra baiana é a marca do Trio elétrico Dodô & Osmar. Ela foi criada em 1942 por Eles, depois de varias experiências para melhorar o som e tirar a microfonia que os instrumentos acústicos davam. Descobriram que usando um cepo maciço como corpo do instrumento eliminava a microfonia.Então eles fizeram o pau elétrico, o pai da guitarra baiana. De lá pra cá com o aperfeiçoamento da eletrônica ela foi se modificando e hj é tão moderna quanto as guitarras americanas de rock in roll como a de Armandinho e Aroldo feitas pelo luthier sergipano Elifas Santana. Em 1975 Armandinho da um passo na evolução da guitarra colocando mais uma corda, passando a ter 5 cordas, aumentando com isso o campo harmônico da mesma. E na década de 80 colocou a alavanca dando um som mais pesado. Com isso o Trio Elétrico Dodô & Osmar é considerado o som mais rock in roll do carnaval.

Lelynho.com.br: Quem são os artistas que já dividiram palco contigo?
André: Foram e continuam sendo muitos. Do axé já tocamos com quase todos eles. Meu pai chamava carinhosamente de “ meus filhos queridos”, por isso temos o respeito e o carinhos de todos.

Lelynho.com.br: Acha positivo o sucesso que aconteceu com o “É o Tchan” na década de 90? Mesmo rotulando a música baiana de indecente?
André: O Carnaval da Bahia já teve varias fases e uma delas foi o pagode iniciado pelo Tchan, que trouxe um ritmo gostoso e contagiante, iniciando um movimento com vários seguidores, e que tomou todo o Brasil com sua percussão cadenciada do samba. Mas o mesmo não se pode falar das letras que sempre explorou o duplo sentido e ficou sendo a marca do pagode baiano até hj.

lelynho.com.br