Importantíssimo na manutenção da história
e patrimônio cultural do Carnaval, André nos conta
um pouco da história e da personalidade de seu pai e fala
dos projetos que está tocando atualmente.
Vale a pena conferir a entrevista e conhecer o som dessa banda
que é um pilar na história do axé music e se
você puder acompanhá-los durante o carnaval na Barra,
não precisa se preocupar com abada, pois é um trio
independente, ou seja, sem cordas.
Lelynho.com.br:
Conte um pouco da personalidade e o jeito de Osmar (seu
pai) e Dodô, os criadores do Trio Elétrico. Como era
o seu pai em casa, com a familía, amigos, músico,
negócios e etc...
André: Meu pai era uma pessoa calma, muito
tranqüila e era apaixonado por música. Gostava de música
de boa qualidade como o choro., clássicos etc. Na década
de 40 ele conheceu Dodô e desde então formaram a dupla
que iria revolucionar o carnaval de rua de Salvador. Ele tinha o
espírito de inventor, pensava sempre a frente do seu tempo
e depois de várias experiências com Dodô eles
inventaram a primeira guitarra elétrica do Brasil, o Pau
elétrico
Lelynho.com.br:
Já mais velhos , como essa dupla via o que eles iniciaram
a construir? Toda a imensidão do Carnaval em Salvador e sua
magnitude.
André: Eles viam com muito orgulho e sempre
falavam que começaram de uma brincadeira para levar alegria
para o carnaval e para o povão. Mas eles não pararam
na fobica não. Foram eles que mudaram no ano seguinte para
uma caminhonete e logo depois para um caminhão. Sempre inovando
em matéria de trio elétrico, fizeram o primeiro palco
móvel giratório e com elevador ( em 1975). Em 1975
o Trio Elétrico Dodô e Osmar deu o primeiro passo na
modernização do som colocando voz , bateria e contra
baixo dando conotação de banda.
Um ano depois levou a percussão para cima formando um palco
único usado até hj por todos os trios.Em 1977 eles
construiram o trio espacial, com uma passarela giratória
que se elevava projetando a banda a uma altura de 4 metros acima
do trio
Lelynho.com.br:
O que sente e o que acha quando vê um monte de trios elétricos
enfileirados na avenida no Carnaval ou em outras cidades nas Micaretas?
E quando vê os trios Dragon de 2 vagões, o Rex e o
Maderada, o que sente?
André: Sinto orgulho de ver a invenção
dos dois cada vez mais evoluindo e se espalhando por todo o Brasil
e pelo exterior. Em 1983 o trio Dodô e Osmar saiu pra tocar
na Itália, sendo o primeiro trio a tocar fora do Brasil.Em
1985 repetiu a dose na França, abrindo as portas para vários
outros trios. E sentimos muito orgulho do nosso fobicão que
é considerado um trio de ponta, com alta tecnologia de som,
e um bonito projeto do Mago Pedrinho da Rocha.
Lelynho.com.br:
Já percebeu algum dia que você pode se considerar
irmão dos trios elétricos? Pode até chamar
os Avancini´s, Alucinante´s e Demolidores de sobrinhos,
já que eles são filhos da Fobica. Rs
André: Meu Pai se orgulhava muito com a
aparição de bons trios e sempre dizia que eram seus
filhos e isso contribuía cada vez mais para a proliferação
do trio pelo Brasil, pois cada estado começou a construir
os seus.
Lelynho.com.br:
Você atua em algum ramo comercial no Carnaval ou só
canta com o grupo “Trio Elétrico Dodô & Osmar”
André: Além do Trio Elétrico
Dodô e Osmar eu tenho minha carreira solo, com minha banda,
que é um trabalho que faço, paralelo ao Trio. Estou
lançando agora em março um cd de forró, que
é um gênero que gosto de cantar muito e começou
em 1985 com a gravação que tive o prazer de fazer
com Luis Gonzaga, nosso velho Lua, o rei do baião, grande
amigo de meu pai.
Lelynho.com.br:
Conte-nos um pouco da história do grupo “Trio Elétrico
Dodô & Osmar”? Fale das músicas mais famosas,
dos autores e influências.
André: Como todos sabem o Trio elétrico
foi inventado em 1950 por Dodô & Osmar, quando saíram
numa fobica pelas ruas de Salvador e desde já arrastando
uma multidão. Em 1951 saíram numa caminhonete e no
ano seguinte montaram num caminhão como é conhecido
até hj. Em 1974 foi formada, pelos filhos, a banda “
Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar” ,
começando uma nova fase, com a inclusão do cantor
que foi o Moraes Moreira, a bateria e o contrabaixo, dando uma conotação
de banda. Em 74 começamos também a gravar os discos,
lançando vários sucessos para o carnaval a exemplo
de Pombo Correio, Vassourinha Elétrica, Chão da praça,
Chame gente etc.
Lelynho.com.br:
Conte do trabalho e dos planos da banda “Trio Elétrico
Dodô & Osmar”.
André: Estamos esquentando as turbinas para
o carnaval começando agora com o Pré-Caju onde puxaremos
o bloco Carangueijo elétrico dia 22/01. Paralelo a isso,
estou realizando os meus ensaios de verão numa casa noturna
em Vilas, O Café Canela todo sábado. Estamos participando
de ensaios dos nossos colegas como o Afrodisíaco, faremos
tb uma participação no de Margareth Menezes e Olodum.
Lelynho.com.br:
Como é o Bloco e o repertório de vocês no Carnaval?
André: O Trio Elétrico Dodô & Osmar toca
durante o carnaval para o folião pipoca, sendo chamado de
trio independente. Saímos no carnaval patrocinado por empresas
privadas a exemplo da Ford, Petrobrás, e do Governo do Estado
e da Prefeitura. O seu repertorio é formado por músicas
próprias, conhecidas do folião, releituras de MPB,
clássicos instrumentais a exemplo de Bolero de Ravel e axés
como Margareth, Carlinhos Brown, Daniela, Asa, Araketu
Lelynho.com.br:
Você consegue contar um pouco dessa sua história longa
de vários carnavais de Salvador?
André: Eu saio em Trio elétrico desde
que usava fraldas (rs). Com isso acompanhei todas as fases e transformações
do carnaval de Salvador, desde a época instrumental de Dodô
& Osmar até hj. Um marco muito forte na história
do trio elétrico foi quando Caetano Veloso lançou
a música “Atrás do trio elétrico só
não vai quem já morreu”. Com sucesso da música
o Trio elétrico ficou conhecido em todo o Brasil. Outro fato
importante foi em 1974 quando colocamos cantor, que foi o Moraes
Moreira. Em 1980 eu passei a dividir os vocais Com Moraes e estou
até hj como o cantor do Trio.
Lelynho.com.br:
Na sua família são todos músicos? E tem filhos
e/ou sobrinhos?
André: Todos seguiram a música, continuando
a história do velho Osmar. E hj já tem tb os netos
formando a terceira geração do trio.