Bolão
é muito mais que o percussionista da Banda Matraka Loka e muito
mais que um ex-integrante do Cheiro de Amor. Esse baiano bom de papo
já dava seus batuques aos quatro anos e aos 14 já tocava
profissionalmente nos bares de Salvador. Depois se dedicou a muitos
cursos, estudos ritmos e sonoridades populares, mais a graduação
em música pela Universidade Federal da Bahia.
Os holofotes da mídia o alcançaram em 1989, quando entrou
para o Cheiro de Amor. Na época, Márcia Freire era o
furacão loiro que conquistava espaço no mercado nacional,
Bolão ficou até 2001 com o grupo baiano e também
trabalhou com a doce Carla Viszi. Mesmo saindo do Cheiro, ele participou
de outros shows e eventos com a banda, o carnaval desse ano e a gravação
do DVD, por exemplo.
Além da cena axé, o músico já foi convidado
pra gravar cd instrumental pra lançar na Europa e Japão
e participou de trabalhos com artistas do calibre de Jair Rodrigues,
Marlon e Maycon, Roberta Miranda e muitos outros.
Hoje
Bolão prepara-se para outro sucesso, a banda Matraka Loka,
marcada pelos toques de modernidade na harmonia, tradição
na percussão e capricho na voz de Patrícia.
Confira
um pouco mais da história desse baiano que adotou São
Paulo, seu passado no Cheiro de Amor e o futuro da promissora banda
Matraka Loka.
Lelynho.com.br:
Quando decidiu vir pra São Paulo?
Bolão:
Eu já fazia alguns trabalhos de publicidade aqui e numa dessas
idas
e vindas uma gravadora me convidou para fazer um CD solo instrumental.
Assim quando saí do Cheiro já estava tudo mais ou
menos encaminhado. Aí toquei com vários artistas daqui
também, como: Marlon e Maycon, Roberta Miranda, orquestra
Heartbrakers, Jair Rodrigues e muitos outros.
Lelynho.com.br:
Como foi a idéia de formar a banda Matraka Loka? Conte-nos
o início, as primeiras conversas.
Bolão:
Culpa do Mauricio Prado (risos). Ele me pediu para montar uma banda
para fazer uma festa de natal em 2002, que seria surpresa, então
eu montei uma banda chamada
TEMPERÔ. Um ano depois surgiu Escravos de Jó e hoje
Matraka Loka.
Lelynho.com.br:
E quando encontrou a Pat e resolveram montar a Matraka?
Bolão:
Conhecemos-nos no Heartbrakers e a banda já existia como
Escravos de jó. Depois eu a convidei e mudamos o nome para
Matraka Loka
Lelynho.com.br:
De onde surgiu o nome?
Bolão:
Nós queríamos um nome que fosse alegre e desse a conotação
sonora boa para
compor também e então num bate-papo surgiu.
Lelynho.com.br:
Existe alguma carência no mercado que a Matraka veio pra suprir?
Bolão:
Na verdade o mercado está carente de música de qualidade.
A Matraka tem qualidade. Muitas das bandas de axé estão
tentando ainda se manter no mercado agarradas aos sucessos do passado.
Hoje o axé tem tanto lugar no mercado que tem axé-acústico,
axé intimista, Luau de axé e por aí vai. Então
a gente quer manter a qualidade e acima de tudo a animação
e motivação pelo
trabalho que eu acho que ainda vai amadurecer muito.
Lelynho.com.br:
Entre os integrantes da Matraka Loka, qual é o maior sonho
de vocês?
Bolão:
O deles eu não posso dizer, mas o meu é que a Matraka
dê certo por que a Patrícia é uma estrela, nasceu
para brilhar e ela merece isso. Eu já tive meus 15 minutos
de fama.
Lelynho.com.br:
É você que compõe e arranja as músicas
da Matraka?
Bolão:
Sim, dirigi o cd também e fiz algumas coreografias.
Lelynho.com.br:
Quais os planos da Matraka?
Bolão:
Hoje estamos num momento crítico, o mercado esta engordurado
e precisávamos de dinheiro para investirmos em mídia,
rádio e TV também. Agora é esperar para que
as coisas aconteçam. Sem pressa, quem faz sucesso rápido
some rápido, não tem base para manter a estrutura
e acaba encantado pelo sucesso. A gente tem investido nisso, um
crescimento que possamos manter.
Lelynho.com.br: Há uma música de
Daniela Mercury que diz "Todo menino do Pelô sabe tocar
tambor". Existem muitos batuqueiros em Salvador que não
são músicos, são amadores.
Quero que você fale dessa cena percussiva baiana e dos grandes
percussionistas baianos.
Bolão:
Isso é uma coisa cultural, como na Bahia se concentra a maior
quantidade de negros fora da África, temos enraizada a cultura
do batuque nas nossas veias. Na África, quando as mães
ouvem o batuque elas estão tranqüilas, pois sabem o
que os filhos estão fazendo. Música para eles é
nascimento, vida e morte. Toca-se e canta-se em todos os estágios
da vida e a Bahia herdou essa cultura do tambor como principal fonte
de expressão para demonstrar o estado de humor do seu povo.
Na verdade começou no tambor e
ganhou o mundo nas cordas do famoso pau elétrico do trio
Dodô e Osmar.
Lelynho.com.br:
Acredita que o Cheiro está no caminho certo com Alinne?
Bolão:
Se alguém souber qual o caminho do sucesso ficara rico. Eu
penso que
esta sendo formatado um trabalho de acordo com as alternâncias
do mercado. Hoje temos um mercado que não atende mais as
vendas e sim a mídia em geral, a internet é hoje a
maior forma de atingir o público. Mas é difícil
definir qual o caminho certo. Penso que há cada seis meses
as estratégias de trabalho têm que ser revistas.
Lelynho.com.br:
Qual a diferença de cada uma das três cantoras do Cheiro?
As características principais de cada uma.
Bolão:
Eu não curto muito as comparações. Eu penso
que a forma de tocar e cantar são como a impressão
digital da pessoa. Não tem como copiar o jeito e a forma
como cantam e elas são bem diferentes. Márcia Freire
era chamada de Bell Marques (Chiclete com Banana) de saia, a Carla
Viszi foi a cantora com melhor timbre e interpretação
e Aline eu fiz poucos shows com ela então não posso
formar uma opinião ainda, mas sem duvida ela é talentosa.
Lelynho.com.br:
Na sua opinião, qual a tendência do Axé-music?
Bolão:
Ela vem se renovando há algum tempo. Temos visto bandas novas
despontando e aproveitando as brechas que o mercado tem. Seja o
Babado Novo na ausência de Daniela, seja com o Vixe Mainha
na ausência da Timbalada e outras bandas que saíram
do circuito como Bamda Mel, Ricardo Chaves, até o Cheiro
esta com problemas para recuperar o mercado. O show business é
inclemente com quem erra. Ou você trabalha concentrado ou
perde o mercado. O maior exemplo de competência no cenário
nacional pra mim é Chiclete com Banana e nem preciso falar
por que né?
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